Planejamento patrimonial: o que vimos em 2021 e o que esperar de 2022?

Posted Tuesday, December 28th 2021
Planejamento patrimonial: o que vimos em 2021 e o que esperar de 2022?

Um ano marcado pelas indefinições em decorrência proposta de reforma tributária. Esta é a avaliação de alguns dos principais profissionais que atuam em gestão patrimonial sobre 2021. Além da pandemia, ainda que com viés de melhora no segundo semestre, quem trabalha com Wealth Management e Wealth Planning também teve que dedicar atenção às possíveis mudanças tributárias.

“Na área de wealth planning, o ano de 2021 ainda foi dominado por questões decorrentes da pandemia de Covid-19 e empresas com problemas de solvência, resultando em trabalhos de planejamento sucessório e proteção de patrimônio pessoal, respectivamente”, sublinhou Renato Giovanini, sócio do escritório Abe Giovanini.

Todos esses fatores, associados a uma conjuntura política e econômica adversa, propiciaram uma maior procura por especialistas, como conta Humberto Sanches, sócio do escritório Humberto Sanches Associados.

“O ano de 2021 foi agitado. A pandemia do vírus da COVID-19, insegurança jurídica, proposta de reforma do imposto de renda para pessoas físicas, combinadas com ambiente político e econômico conturbado, levaram a um aumento expressivo de demanda por planejamento patrimonial e sucessório, inclusive envolvendo mudança de residência para o exterior. Tivemos decisões importantes na esfera tributária, como a declaração da inconstitucionalidade da cobrança de ITCMD sobre heranças no exterior e o posicionamento da Receita Federal sobre doações para o exterior e doações de cotas de fundos fechados”, frisou.

Para Augusto Miranda, Diretor do Bradesco Private Banking, as surpresas no cenário econômico tornaram o ano de 2021 ainda mais desafiador.

“Em janeiro, por exemplo, havia a expectativa de que a inflação esperada para 2021 fosse de 4%, tendo sido revisada acima de 10% atualmente. A relação entre a dívida bruta e o PIB também sofreu uma revisão material, saindo de próximo de 96% para os atuais 82%. Esperava-se uma Selic não superior a 6% no final do ciclo atual de elevação dos juros e agora há expectativa de Selic acima de dois dígitos. Essas revisões impactaram tanto o retorno da bolsa quanto o da renda fixa”, analisou.

O que esperar de 2022?

 

O ano de 2022 ainda sofrerá os reflexos das indefinições fiscais e da reforma tributária, associados aos impactos da disputa eleitoral. Esta é a opinião de alguns dos principais profissionais de wealth planing no mercado.

“Além do início do ciclo eleitoral local, as economias globais devem reduzir o seu crescimento em relação a 2021, e os principais bancos centrais devem sinalizar o início do processo de normalização dos juros, o que, tradicionalmente, torna o ambiente desafiador para os emergentes. Contudo, no segundo semestre, acreditamos que deve haver uma normalização dos gargalos globais de produção e, consequentemente, um arrefecimento global na inflação. Os ativos internacionais continuarão fazendo parte da carteira do investidor local, pois adicionam fatores de risco descorrelacionados do mercado brasileiro e protegem os portfolios em momentos de volatilidade”, pontuou Augusto Miranda.

Para Renato Giovanini, o Brasil pode observar um forte fluxo migratório com o resultado das eleições gerais.

“Se elas se encaminharem para uma vitória da esquerda com Lula ou direita com Bolsonaro, deveremos assistir a um movimento de saída de residentes fiscais do Brasil, principalmente para os EUA e Portugal, dentre as demais jurisdições de preferência dos brasileiros; nesse movimento, a área de wealth planning deverá ver a maior realização de planejamentos tributários e sucessórios pré-imigratório”, prevê.

Humberto Sanches acrescenta que a tramitação da reforma tributária também tende a agravar este cenário.

“Se a reforma for aprovada, teremos uma explosão de demanda de trabalhos envolvendo reorganização patrimonial e mudança de residência para o exterior. O ambiente político deverá ser conturbado por conta do processo eleitoral para a Presidência da República, o que deverá contribuir com aumento do volume de trabalho”, completou.

Por: Danilo Motta