O 5G na prática

A Leaders League Brasil conversa com especialistas em telecomunicações para analisar o andamento da implementação da tecnologia no Brasil.

Posted Tuesday, April 26th 2022
O 5G na prática

O leilão da concessão do 5G ocorreu em novembro do ano passado e, com ele, as faixas de 700 MHz, 2,5 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz atingiram o valor de R$ 46,7 bilhões. Desta quantia, R$ 42 bilhões serão revertidos na tecnologia, enquanto R$ 5 bilhões têm como destino o Ministério da Economia, com prazo de outorga de 20 anos. Porém, como a tecnologia está na prática? 

 

“A sociedade se digitalizou barbaramente durante a pandemia e descobrimos ou popularizamos novos serviços, com a adoção cada vez maior do ensino à distância, do internet banking, do comércio eletrônico, da telemedicina e do teletrabalho. Isso tudo demanda velocidades maiores e latência ínfima, como a do 5G standalone (SA), aliada à capacidade de download e upload ainda maior para quem trabalha em home-office para envio e recebimento de arquivos. Sem falar que poderemos ter o controle total de nossas casas no smartphone, como a geladeira nos informando sobre quantidade e qualidade de comida, contato direto com câmeras de segurança, consumo de energia e água, temperatura ambiente etc. O 5G permitirá que surja uma nova economia e que o Brasil evolua absurdamente em sua infraestrutura, com mais empregos, inclusive os que nem existem ainda, maior produtividade com redução de perdas, e desenvolvimento de novas tecnologias e novos conhecimentos”, afirmou Homero Salum, diretor de Engenharia da TIM, em entrevista exclusiva à Leaders League Brasil. 

 

O que é o 5G? 

 

A tecnologia do 5G é a evolução de suas duas antecessoras, o 3G e 4G. Segundo especialistas as principais diferença para as demais são: velocidade maior para se conectar com um aparelho; baixa latência; e o aumento do número de dispositivos que podem se conectar a uma única antena, porém em uma área de alcance menor. 

 

A expectativa é que a tecnologia se torne a principal no país durante os próximos anos, possibilitando além de uma navegação mais rápida nos aparelhos telefônicos, diminuição no retardo ao assistir streamings ou jogos online, veículos autônomos, fazendas inteligentes, centros médicos virtuais e até mesmo cirurgias realizadas por robôs. 

 

“Nós não estamos falando de um tipo de upgrade simples, não é como ocorreu do 3G para o 4G. Agora estamos realmente reinventando a banda larga. Se a gente ainda tinha alguma lembrança de que o celular era feito para ligações, podemos esquecer isso. Estamos falando de muitas antenas espalhadas pela cidade e muita coleta de dados”, afirmou Eduardo Ramires, sócio fundador do Manesco, Ramires, Perez, Azevedo Marques, em entrevista exclusiva à Leaders League Brasil. 

 

Ramires cita o Hospital das Clínicas da Universidade da USP, que anunciou no final de março que o centro cirúrgico do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), será a primeira sala de cirurgia a utilizar a tecnologia do 5G no Brasil. 

 

A ação é uma parceria entre a Claro, Embratel e o núcleo de inovação do Hospital das Clínicas, o InovaHC. É esperado que até junho o Icesp receba uma prova de conceito para testar o uso e a estabilidade do 5G na prática, incluindo dados de pacientes através da rede para analisar o suporte do sistema. 

 

Com essas inovações também surgem os primeiros desafios para a implementação da tecnologia. Por cobrir uma área menor do que as anteriores, é necessária a instalação de mais antenas e postes nas cidades, o que gera um conflito em relação às leis de infraestrutura e ambientais, principalmente, em cidades rurais que ainda não possuem nenhuma instalação.  

 

“As empresas vão se deparar com aqueles velhos problemas urbanísticos e de licenciamento, é uma enorme barreira porque nós temos uma tradição muito burocrática com esses processos. Além disso, você deve utilizar mais poste e o problema é que eles têm dono em tudo quanto é lugar. Eles pertencem a companhias distribuidoras de energia elétrica e elas cobram caro, a legislação recentemente adotada deu uma espécie de incentivo a posição dos entrantes garantindo a impossibilidade de fazer cobranças, mas isso não resolve todo o problema”, comentou o fundador do Manesco, escritório líder em Direito Público no ranking 2022 da Leaders League.

 

Próximos passos 

 

Após o leilão realizado em novembro do ano passado, ficou definido que as seguintes capitais vão começar a ver o 5G funcionando até julho deste ano: Brasília, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Natal, Palmas, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo, Vitória, Aracaju e Boa Vista. 

 

“O Brasil ainda não iniciou a operação do 5G puro (frequência 3,5 GHz) e será o primeiro país da América Latina a tê-lo a partir de julho, que é a previsão para que o serviço já esteja disponível nas capitais. Implementamos uma série de projetos pilotos e testes desde 2019, fomentamos um ecossistema 5G que permita a implementação da tecnologia no país, com testes no Rio e em São Paulo, e com o agronegócio, em Rondonópolis (MT), por exemplo. A TIM foi a primeira operadora a concluir a implantação do centro de operações e inteligência do 5G SA, o que será essencial para a oferta de redes e serviços para os clientes a partir da disponibilidade da frequência de 3,5GHz. Então, já temos tudo pronto para iniciar a operação em todas as capitais tão logo o governo libere as frequências de 5G para uso”, afirmou Salum, diretor de Engenharia da TIM. 

 

O engenheiro explica que a TIM já está preparada para lançar o serviço, somente aguardando a liberação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que ainda está de acordo com o cronograma pré-estabelecido. 

 

“A TIM iniciou a preparação da sua rede 5G há dois anos, quando foi pioneira na implementação de living labs em diferentes estados do Brasil, em parceria com entes públicos e privados, no intuito de fomentar o ecossistema da tecnologia 5G. O trabalho foi muito bem-sucedido, e hoje com certeza estamos prontos para lançar o serviço, aguardando apenas a liberação da frequência pela Anatel e do cronograma estabelecido. Oferecemos o 5G DSS, que agrega as frequências do 4G, e já permite uma experiência diferenciada aos clientes, que evoluirá com a chegada do 5G SA na frequência 3,5GHz (o 5G puro) a partir de julho, quando o governo já tiver liberado as frequências de 5G nas capitais”, explicou Salum. 

 

Por: Daniel Dias