Mercado de Venture Capital quebra recordes mesmo em meio à pandemia

Posted Friday, December 31st 2021
Mercado de Venture Capital quebra recordes mesmo em meio à pandemia

Em 2021, os fundos de Venture Capital (VC) apresentaram um constante aumento nos investimentos, atingindo a marca histórica de R$ 33,5 bilhões em aportes somente nos primeiros nove meses do ano, segundo levantamento da Associação Brasileira de Venture Capital e Private Equity (ABVCAP). Mesmo com os impactos da Covid-19 sobre a economia mundial, o mercado de VC, conseguiu triplicar o montante em relação ao mesmo período em 2020. Durante o ano, o Brasil se concretizou como maior mercado de Venture Capital na América Latina.

“Tudo isso está ocorrendo apesar da bagunça no cenário macro, inflação alta e juros subindo, que é o famoso estado de estagflação. O mercado de Venture Capital vem captando dinheiro, crescendo e construindo uma nova economia no país, uma digital, mais eficiente, com melhor governança e com uma nova classe de empresários e banqueiros que são os adventurous capitalists”, afirmou Francisco Jardim, gestor de fundos da SP Ventures.

Os assessores jurídicos que acompanham o mercado também entendem que houve um grande aumento no número de investimentos. Luciana Renouard, do Madrona Advogados, relata as principais áreas que receberam investimentos

O mercado de Venture Capital vem crescendo e construindo uma nova economia no país, digital, mais eficiente.

“Nós vimos um grande aumento no investimento dos fundos de Venture Capital, tanto no número de deals, quanto no valor médio dos aportes. Das startups que receberam investimentos, a maior parte são fintechs, mas vimos também muitas health techs e empresas de tecnologia voltadas ao agronegócio recebendo aportes”, afirmou Renouard.

Para Cindy Scofano e Tomás Neiva, do Mattos Filho, esse crescimento do mercado ocorreu pela maturação dos investidores brasileiros nos últimos anos.

“O crescimento desse mercado no Brasil muito se deve à maturação do ecossistema empreendedor e de inovação brasileiro, que nos últimos anos passou a contar com maior oferta de capital, agentes de mercado mais sofisticados e startups com maior capacidade de tração. Consequentemente, ampliaram-se não somente o número de startups existentes e investidas (de 147 em 2020 para 226 em 2021), como também os valuations e as rodadas de investimentos mais robustas (Series C e seguintes)”, afirmaram.

Das startups que receberam investimentos, a maior parte são fintechs.

O aumento dos investimentos, também passa pela Instrução Normativa da Comissão de Valores Mobiliários - CVM n. 588/2017, que regulamenta o crowdfunding no Brasil.

“A Instrução Normativa da Comissão de Valores Mobiliários, vem impulsionando as plataformas de investimento coletivo no país e contribuindo para uma maior participação de pequenos investidores nesse mercado. Na mesma medida, empresas já consolidadas vêm ampliando os seus investimentos em iniciativas de corporate venturing, fortalecendo sua posição de investidores estratégicos no ecossistema inovador”, comentaram sobre a nova normativa.

Os quatro veem com bons olhos o futuro do mercado para 2022, confiando que a área continuará com o crescimento de investimentos.

Acreditamos que a tendência de crescimento dos investimentos em Venture Capital se mantenha [em 2022].

“Ainda que o cenário para 2022 seja desafiador, por conta das eleições, acreditamos que a tendência de crescimento dos investimentos em Venture Capital se mantenha. Outra tendência que estamos enxergando é o Corporate Venture Capital – com o novo marco legal das startups, as empresas estão aproveitando o investimento em startups como uma forma de investir em inovação”, relatou Luciana Renouard.

Cindy Scofano e Tomás Neiva, veem que outros setores já estão atraindo investidores, e preveem que no ano que vem a tendência é crescer ainda mais.

“Além dos setores financeiro e de seguros – que devem continuar ocupando uma parcela relevante do volume de negócios – os setores de saúde, imobiliário, agronegócios e educação são outros que estão atraindo a atenção dos investidores de VC no Brasil e tendem a movimentar o mercado no próximo ano”, comentaram sobre as áreas que tendem a apresentar um crescimento no próximo ano.

Com o novo marco legal das startups, as empresas estão aproveitando o investimento em startups como uma forma de investir em inovação.

Francisco Jardim, crê que apesar da situação do cenário macro, o mercado de Venture Capital se manterá ativo e aquecido, assim como ocorreu alguns anos atrás quando o PIB do país encolheu de maneira considerável.

“Ano que vem, apesar da situação do cenário macro, de inflação e juros alto, e baixo crescimento econômico, o que vemos no mercado de Venture Capital, startup e tecnologia vai continuar acontecendo, passando despercebido pelo cenário macro, como vimos em 2015 e 2016, quando o PIB encolheu 7,3% e mesmo assim as startups e fundos de Venture Capital cresceram muito”, relembrou sobre como o mercado continuou aquecido mesmo em meio à crise.

Em sua visão tal fato se deve pelo dinheiro já ter sido captado ao longo dos últimos anos, então o cenário macro não tende a afetar o mercado de Venture Capital.

“Lembrando que essa indústria não é tão sensível, então não é porque houve um ano ruim no cenário macro que isso vai continuar, porque a captação de fundos não será feita ano que vem. Eles já vêm sendo captados desde o ano passado e retrasado. Portanto, eu vejo um ano em que o mercado vai estar muito ativo, com crescimento de startups, liquidez e M&A, que vimos bater recordes em 2021”, concluiu.